quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tempos e Maresia


Tempos e Maresia

Na infância, sempre me perguntei porque aqueles homens tão sérios no dia a dia viviam bebendo aquela bebida amarga, ouvindo aquela música ruim em um ambiente imundo e sorrindo. Eu não sabia explicar porque eles não se divertiam de outra forma e em outro lugar. Bom, ao menos seus sorrisos eram bem felizes e sinceros...

Hoje, peguei-me pensando que estava eu bebendo uma caipirinha meio doce, ouvindo aquelas músicas populares brasileiras em um barzinho limpinho a beira mar e sem sorriso. Eu sabia explicar porque não estava me divertindo de qualquer forma e em qualquer lugar. Bom, meus pensamentos eram lerdos e cansados...

Em um momento de lucidez, ou seria embriaguez, contrapus meus pensamentos infantes e tardios. Nem a juventude rude ou cativa, nem a velhice terna ou megera têm a resposta para as sabedorias da vida. Regras ou experiências, uma hora tudo cai por terra e, bom, ficamos lá nós parados olhando pro nada com cara de tacho e uma caipirinha azeda!

Leva tempo pra perceber que a vida não é uma caixinhas de regras a serem seguidas ou uma caixinha de regras a serem quebradas. A vida é apenas vida e a poesia que fazemos dela, ou poesia nenhuma... Ninguém é obrigado a ser poeta!

Então, fico no aguardo do parágrafo a ser escrito "E na velhice..." que talvez eu venha a desdizer o que eu disse antes!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Quando A Inspiração Não Vem


Quando A Inspiração Não Vem

Eu sinto o cheiro do mato verde
Eu sinto a areia da minha calçada
Eu vejo as cores azuis num céu de domingo
E o vento sopra minhas memórias de mim

Ouço o som que as folhas fazem
No topo das árvores
No fundo do quintal

Eu ouço a água que goteja
No topo da torneira
No fundo do chão

O dia se arrasta com o sol a pino
As horas vagueiam horas por mim
Eu tento escrever poesias de outrora

E deixo a caneta e a noite cair

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Na Calada da Noite


Na Calada da Noite

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Nas letras eu fujo

Viajo para lugares...
Lugares bem longe
Bem distantes daqui
Bem distantes de mim

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Nas letras eu finjo

Eu mudo de cor...
Cores vivas
Cores mortas
Reinvento os tons

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Eu me mostro (eu me monstro)

Escrevo palavras usadas
Cruzo poesias e versos
Desvelo meu silêncio
E meus sonhos velo e revelo

sábado, 9 de agosto de 2014

Das Fotografias Que Revi


Das Fotografias Que Revi

Apenas uma vida, apenas...
O suficiente pra viver
O suficiente pra te ver
Sorrir...

Cartas e fotografias
Poesias nunca terminadas
Álbuns de fotografias
Aquela gravata...

Gavetas espalhadas
Dentro de mim
Lugares sem nomes
Nomes e afins

Loucuras, solidez, solidão
Lembranças, vasos de flores,
Aquela canção
Sobre laranjeiras... Ligeiras

Vou te guardar
Vou te levar comigo
Bagagem sem peso
Peso sem perigo

Lembranças que borram o papel
Aguas que correm de março
Dezembros que correm janeiro
Dinheiro que correr mim

E as poesias que não escrevi
E os amores que eu não vivi
E as melodias que eu não compus

E as outras vidas que eu nunca fui

domingo, 3 de agosto de 2014

Mas Escrevi


Mas Escrevi

Você me pediu uma canção de amor
Eu me vi perdido em pensamentos
Como transformar sentimentos desejos
Em poesia em um só momento?

Eu poderia te descrever
Eu poderia te redescobrir
De um jeito todo só meu
Um jeito que outros não vão sentir

Eu poderia dizer tudo
O que não consigo esquecer
Poderia inventar novas formas de emoção
E posso só dizer que quero você

E me vejo agora bobo e carrancudo
Eu não consigo te transformar
Em uma poesia breve e profunda
Que ti faça me querer e me amar

Deveria...


Deveria...

Eu deveria escrever
Uma carta de amor?
Eu deveria!

Eu deveria te dizer
Que quero seu amor?
Eu deveria!

Eu deveria colorir
Teu quarto, o ceú
Sentir teu calor
Eu deveria!

Eu deveria te chamar pra sair
Eu deveria te iludir
Eu deveria te amar
Eu deveria te abraçar

E pouco a pouco vou
Virei, verei, serei
Aquilo que desejo e sou
Serei o teu amor

Das Simplicidades


Das Simplicidades

Conte-me historias de teu outro amor
Faça-me enxergar os fatos
Nunca serás tão minha quanto
Desejo em meus pensamentos

Sei que deseja a boca que te amargou
Sei que não estou em teus sentimentos
Mas isso não confunde o meu coração
Aceito estar contigo em pequenos momentos

Olho teus olhos tristes e solidários
Desejo fundo o toque dos teus lábios
Prevejo tuas intensões discretas
De não aceitar minhas indiretas

Mas nada disso irá mudar
A poesia que me aluga agora
Eu bem poderia te amar
Mas há outros mundos lá fora

E teus mistérios sempre existirão
E eu sempre vou querer desvendar
Teus toques, o teu coração
E vou sempre poder contigo sonhar