domingo, 17 de maio de 2015

Desmensuras


Desmensuras

Durante muito tempo eu fugi
Havia sombras e sobras
Eu não queria estar ali
Eu só queria ir embora

Mas para todo lado, espelhos
Em minha ânsia de mudar
De nome, cidade, estado, sonhar
Eu estava lá todo tempo

Fugi nos livros, nos discos
Pensamentos soltos sobre outros
Poesias fingidas ou roubadas
Mas era onde eu estava

E, então, me redescobri
E então eu queria estar ali
Ser quem sou e me tornei outrora
Ser quem sou e me tornei agora

Reencontrei velhos versos
Medos tolos e seus inversos
Vi, vivi e revivi memorias
Vi, vivi e revivi historias

E então permaneço aqui
Aqui e agora, este ser que meço
Estou em cada pedaço concreto

Do abstrato ser eu que verso

sexta-feira, 27 de março de 2015

De Peito Aberto


De Peito Aberto

Eu nunca estive só
Nunca me senti tão só
Realmente só
Só como estou agora

Eu nunca estive frágil
Tão frágil e quebrado
Realmente humilhado
Apenas humanos, nunca estive

Eu sempre fui muito mais
Muitos conceitos
Muitos deleites
Eu já fui multidões

Mas hoje, apenas hoje?
Eu estou só, somente só
Sozinho, nem com meus pensamentos
Estes são veneno, são álcool

Afinal, eu nunca estive só
Nunca me senti tão só
Realmente só
Só como estou agora


sexta-feira, 13 de março de 2015

Dias de Saudade


Dias de Saudade

E, aqui, estou só
Não um sozinho
Não solitário
Apenas só

Daqueles dias assim
Meio cinza
Meio borrado no fim

Daquelas horas
Demoradas e tortas
De insonias e drogas

Dos dias da Saudade
O que mais doí
Doí a noite que não termina
E tudo que guardo dentro de mim

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tempos e Maresia


Tempos e Maresia

Na infância, sempre me perguntei porque aqueles homens tão sérios no dia a dia viviam bebendo aquela bebida amarga, ouvindo aquela música ruim em um ambiente imundo e sorrindo. Eu não sabia explicar porque eles não se divertiam de outra forma e em outro lugar. Bom, ao menos seus sorrisos eram bem felizes e sinceros...

Hoje, peguei-me pensando que estava eu bebendo uma caipirinha meio doce, ouvindo aquelas músicas populares brasileiras em um barzinho limpinho a beira mar e sem sorriso. Eu sabia explicar porque não estava me divertindo de qualquer forma e em qualquer lugar. Bom, meus pensamentos eram lerdos e cansados...

Em um momento de lucidez, ou seria embriaguez, contrapus meus pensamentos infantes e tardios. Nem a juventude rude ou cativa, nem a velhice terna ou megera têm a resposta para as sabedorias da vida. Regras ou experiências, uma hora tudo cai por terra e, bom, ficamos lá nós parados olhando pro nada com cara de tacho e uma caipirinha azeda!

Leva tempo pra perceber que a vida não é uma caixinhas de regras a serem seguidas ou uma caixinha de regras a serem quebradas. A vida é apenas vida e a poesia que fazemos dela, ou poesia nenhuma... Ninguém é obrigado a ser poeta!

Então, fico no aguardo do parágrafo a ser escrito "E na velhice..." que talvez eu venha a desdizer o que eu disse antes!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Quando A Inspiração Não Vem


Quando A Inspiração Não Vem

Eu sinto o cheiro do mato verde
Eu sinto a areia da minha calçada
Eu vejo as cores azuis num céu de domingo
E o vento sopra minhas memórias de mim

Ouço o som que as folhas fazem
No topo das árvores
No fundo do quintal

Eu ouço a água que goteja
No topo da torneira
No fundo do chão

O dia se arrasta com o sol a pino
As horas vagueiam horas por mim
Eu tento escrever poesias de outrora

E deixo a caneta e a noite cair

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Na Calada da Noite


Na Calada da Noite

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Nas letras eu fujo

Viajo para lugares...
Lugares bem longe
Bem distantes daqui
Bem distantes de mim

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Nas letras eu finjo

Eu mudo de cor...
Cores vivas
Cores mortas
Reinvento os tons

Na calada da noite
No silêncio do copo
Da mancha de café
Eu me mostro (eu me monstro)

Escrevo palavras usadas
Cruzo poesias e versos
Desvelo meu silêncio
E meus sonhos velo e revelo

sábado, 9 de agosto de 2014

Das Fotografias Que Revi


Das Fotografias Que Revi

Apenas uma vida, apenas...
O suficiente pra viver
O suficiente pra te ver
Sorrir...

Cartas e fotografias
Poesias nunca terminadas
Álbuns de fotografias
Aquela gravata...

Gavetas espalhadas
Dentro de mim
Lugares sem nomes
Nomes e afins

Loucuras, solidez, solidão
Lembranças, vasos de flores,
Aquela canção
Sobre laranjeiras... Ligeiras

Vou te guardar
Vou te levar comigo
Bagagem sem peso
Peso sem perigo

Lembranças que borram o papel
Aguas que correm de março
Dezembros que correm janeiro
Dinheiro que correr mim

E as poesias que não escrevi
E os amores que eu não vivi
E as melodias que eu não compus

E as outras vidas que eu nunca fui