quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Poesia Sofrida (ou o Parto sem Luz)

Poesia Sofrida (ou o Parto sem Luz)

Delicados dedos que bailam no ar
No teclado sapateiam a desenhar
Palavras incógnitas que aos poucos povoa
Desmembrando o incerto em poesia boa

Queria uma prosa extensa e potente
Mas só consigo o inverso, algo imponente
Em pequenos e belos versos
Que, em mim, se mantinha submersos

Antes fosse uma historia de amor
Ou contos de morte e dor
Que esta poesia sem alma
Sem teto, sem gosto, sem calma

Ó inspiração, por que me abandona
Encontraste outro senhor ou eu outra dona?
Estes amores passageiros sem paz
Só servem pra uns poucos momentos e nada mais

Que as musas me escutem
Que me lembrem e me ajudem
Escrever é meu querer
Meu calvário e meu prazer

E delicados dedos que bailam no ar
No teclado sapateiam a desenhar
Palavras incógnitas que aos poucos povoa
Desmembrando o incerto em poesia boa

Indagações e Provocações

Indagações e Provocações

Que eu posso querer?
O mundo cheio de mundos
As casas cheias de nada
As mentes sempre vazias

Que eu posso sonhar?
Quimeras, de tão feias, belas
Luares de tão cheios mares
Amores, dissabores, rancores

Que eu posso estudar?
Teoremas de poemas
Gráficos de abstrações
Ironias de problemas

Que eu posso crer?
Na morte no cinema
Na vida sempre curta
Na sorte das ciências

Que eu posso ser?
Ser, estar, fazer
Vir, ir, devir
Caso, acaso, casar

Que eu posso escutar?
Nada, tudo a mim me basta
Tudo, nada a mim me basta
Silêncio, o paradoxo, necessário ao ouvir

Que posso finalizar?
Um ponto
Umas reticências
Uma vírgula

Delírios do Ser/Estar/Fazer

Delírios do Ser/Estar/Fazer

Deixar passar
Transpassar e fluir
Deixar viver
Sobreviver ao devir

Deixar sonhar
Acordar e perceber
Deixar amar
Amarrar este querer

Deixar fingir
Figurar e distorcer
Deixar validar
Possuir e poder

Devorando-se a si mesmo
Percebendo-se outro aqui mesmo
E mesmo assim torna-se um
Um todo desfigurado e comum

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Que sentimento paira no ar?

Que sentimento paira no ar?

Que sentimento paira no ar?
São tantas coisas presas em minha cabeça
Tantas coisas como ancora
Que não me deixam voar

De tantas juras a sombra do cajueiro
De tantas promessas proibidas
De tantos versos sem medida
De tantos goles da mesma bebida

E eu tão preso ao firme chão
Enquanto, tudo fica leve e paira luz
Eu, ancorado nas medidas da condição
A mesma que não decidi, mas me impus

Mas que sentimento paira no ar?
A incerteza de uma breve despedida
O sussurro meiga mentira
O silencio que estaca a ferida

domingo, 17 de julho de 2011

Labirinto dos Caminhos Cruzados

Labirinto dos Caminhos Cruzados

Sabe aqueles dias que você acorda e acha que tudo está fora do lugar? Tudo parece te envolver em meios a fios de angustia, redes de sentimentalismos clichês, uma teia de intrigas pessoais, você com seu mundo, seu mundinho?

E, apesar de tudo o que você faça você está tão preso nele, seus sentimentos mais profundos o fazem cair, mergulhar em um turbilhão de reflexões intermináveis com o mundo a sua volta, o mundo a girar, o mundo concreto, que reverbera em sua tragicomédia da vida alheia...

Tempos nebulosos que se aproximam, não chegam a tocar-nos, mas nos amedronta nos condena a um estado apático de angustia e medo pelo que pode vir, e, talvez, nunca virá! Tememos pelo que temos, não temos, poderemos/poderíamos ter e pelo medo de perder...

Quando os caminhos se cruzam, estamos perdidos em um labirinto, labirinto de possibilidades intermináveis, e, quem sabe, improváveis de previsão: estamos no mundo da vida!

A cada passo dado, mal dado, torto, tortuoso, sensível, sensato, tudo aquilo que compõem o caminho e o caminhar, tudo incerteza, por mais que tenhamos seguido a vida toda por este percurso de casa ao trabalho (escola), todo dia é novo, mas nem todo novo é surpreendente, a novos tão velhos e desgastados. Velhos fantasmas que nos atacam nos provocam a temer um novo passo, um passo, desta vez, bem dado!

São labirintos da vida, como videiras que se entrecruzam, abrem-se e fecham-se em cainhos espinhosos sem fim, que nem sabemos onde vai parar, onde vai chegar. São nossos labirintos de caminhos cruzados, meus e teus... E quem poderá dizer que fazemos certo? Quem já percorreu todos os labirintos de caminhos cruzados? Quem seria tal ser tão antigo e sábio?

Nem toda ciência seria capaz de predizer, prescrever, o remédio para remediar a dor e a angustia de um novo passo rumo ao (des)conhecido mundo da vida! Não há paz quando há algo que se quer transformar. Não há paz quando se tem onde se quer chegar. Não há paz se há um amor por quem lutar!

Eis um resumo dos labirintos de caminhos cruzados, sem ponto de partida e chegada (predefinidos), apenas um devir inteiramente novo, mesmo que por caminhos antigos, nenhum um dia igual ao outro, sem espaço para monotonia, apenas os caminhos, labirintos, intercruzamentos de vidas, o grande fluxo do mundo da vida!

Angustio-me, mesmo sabendo o que sei, sabendo que não sei.
Sejam bem-vindos aos Labirintos dos Caminhos Cruzados!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Quanto Tudo é Você

Quanto Tudo é Você

Quando tudo era vastidão
Você, abrigo
Quando tudo era descaminho
Você, uma ponte
Quando tudo era escuridão
Você, o Luar
Quando tudo era imenso
Você, amorzinho
Quando tudo era vazio
Você, plenitude
Quando tudo era preocupação
Você, sentimento
Quando tudo era pessoa
Você, desejo
Quando tudo era nada
Você, universo
Quando tudo se foi
Você me veio
Quando tudo se perdeu de mim
Você me deu o que precisava
Carinho, amor, um ninho
Tudo o que se enraíza em mim
Um cantinho

domingo, 10 de julho de 2011

Amanhecer Apaixonado

Amanhecer Apaixonado

Quando amanhecer
Traga teu beijo em sabor de mel
Traga o sol e o café
Traga o azul da aquarela ao céu

Os lençóis sobre a cama
Desenham figuras de um amor
Rabiscos loucos e travessuras
De tudo entre o frio e o calor

Atravessando a janela
Deixo a luz nos visitar
Iluminando nossos corpos
Amanhecendo nosso olhar

A casa, a sala e o som
Olhos e bocas, café e pão
Sorrisos doces em belo tom
Amanhecer para mais um dia, então