segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Janeiro à Janeiro

Janeiro à Janeiro

O dia amanheceu e
Em claro, eu sei
É que as coisas vão ficar
Estáticas, entenderei

Mal compreendo os raios do sol
A sós, doem as pestanas
O dia me incomoda a ressaca
Do mar, que vejo pelas venezianas

Cada coisa em seu lugar
Cada qual em cada qual
Tudo na varanda, em pó, poeira
Tudo para o ego é normal

Meu tédio cheio de si
Minha vida cheia de nada
Tudo tão vago como o alfabeto
Palavras cruzadas

Mas que um dia nasça o amor
Que tudo se perca de mim
Não faça sentido, faça feliz
Se entenda no fim

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

As madrugadas, hoje, são tão normais.

As madrugadas, hoje, são tão normais.

As madrugadas de hoje são de insônia, as de antes eram de “não dormir”, era um mundo fabuloso! Nossas madrugadas eram nosso refugio de nossos deveres estudantis, ou, simplesmente, não eram nada, apenas uma desculpa para ser feliz. Um meio para nos divertir!

Não precisávamos de tema especial, data de nascimento ou convite incomum para infligir umas leis, umas normas, levemente, quebrar algumas regras. Nada tinha um gosto mais doce do que fugir pelos portões daquele pensionato. Nada era mais belo, bobo, simples e cheio de vida.

Fingir dormir. Escorregar entre os lençóis. Convidar os demais pra sair. Estes já estarem esperando e se perguntando se você tinha desistido de fugir, sumir no mundo... Olhar pela janela e verificar se a ala feminina já havia roubado as chaves. Descer as escadas, e cambalear por entre umas cadeiras. O ranger da porta, o silencio forçado do portão: liberdade!

Entre os dedos garrafas de bebida, cigarros, sorrisos e uma vontade irresistível de não pensar em nada, apenas viver! Cada gole, cada tragada, a vida se diluindo em nossas veias, em pequenas doses de pecado e mentiras... Afinal, mentíamos não nos preocupar com nada.

Rolar na grama, correr, cantar, pular, tudo em alegria, sem medo ou censura! Éramos o que se pode chamar de filhos da noite, meninos perdidos, jovens degenerados, rebeldes sem causa, ou, simplesmente, pequenos vândalos...

Claro que ocorriam efeitos colaterais: faltar umas aulas, ressaca, entre outras coisas como, o mais divertido, deixar o velho Petruz louco de raiva junto de seu sotaque carregado de um holandês forçado, posto que este era um poliglota! Descanse em paz jovem Petruz que tanto nos aturou... Reza a lenda que ele só conseguiu morrer depois que cada um de nós, finalmente, havia deixado seu estabelecimento. Só assim garantia que não o virássemos de cabeça a baixo!

Eram bons dias, aliás, belas madrugadas, que nos acolhiam com seus mantos negros e gentis! Todo anoitecer era um convite a festa, sem pressa, sem tema, apenas fonemas: “bó?!”.

Enfim, um copo de vinho, um frio, um silêncio e minhas verdades. Não guardo fotografias, mas muitas lembranças! Hoje as noites são tão iguais, tão previsíveis, tão apáticas. As madrugadas, hoje, são tão normais!

Sei que estes relatos nunca superarão os sentidos que me vem ao corpo quando lembro tudo o que vivi, vi e aprendi, como é possível ser feliz em tão curto espaço de tempo, sem pretensões maiores de ser, apenas viver!

O Sonhar


Bem, é assim que nascem os mitos: uma bela e doce mentira escrita nas linhas do tempo, sem grandes pretensões, mas de um alto teor entorpecente de poesia. Há tempos se buscar uma veritas scientia, mas, há tempos, não se sabe o que é um Amor Fati... Bem, de todo modo, me apego a um breve e recorrente Sonhar!

Inspirado em "Sandman: Os Caçadores de Sonhos"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pequenos Fragmentos de Amor

Pequenos Fragmentos de Amor

Quando ela se move
Me envolve em seus movimentos
Desabrochando sorrisos
Pequenos encantamentos

Quando me chama
Clama o vento por tal melodia
Canarinhos a tagarelar
Melodiosas harmonias

Quando a relembro
Dezembro se estende
Não entende a distância
A saudade compreende

Voe logo pra mim
Pequena borboleta roxa
Rouxinol canoro, sonhador
Minha pequena, meu amor

sábado, 26 de novembro de 2011

As Fases da Lua

As Fases da Lua

Ela diz que dança
Dança nua na floresta
Fala sobre músicas ancestrais
Dança ao som de tambores
Em volto a fogueiras
Dança em noite de lua cheia
Fala sobre mitos e encantos
Não teme a floresta
Ela dança a luz de velas
Canta em línguas estranhas
Caldeirão, faca, cajado e medalhão
Ela diz que é uma bruxa
E é tão encantadora
Beleza sem igual
Um encanto, quase magia
Então, não minto, acredito
Ela diz que é bruxa
Eu acredito!

domingo, 20 de novembro de 2011

Após uma Semana de Amor


Após uma Semana de Amor

Minha cama está vazia
Como desacostumar do amor?
Os lençóis emoldurados
Ao modo que você deixou

Tudo parece tão vago
Este pequeno espaço
Uma estranha imensidão
E agora, o que eu faço?

Talhado em caricias
Cada detalhe gravado
Memória em minha pele
Encarnar o ser amado

Um mistério preso no ar
Teu perfume em mim
O lençol que não me abraça
Abrasa a saudade no fim

Quando voltarás?
Quando terei teu querer?
Voltará inteira pra mim?
Quanto tempo irei perecer?

Minha cama está vazia
Como desacostumar do amor?
Os lençóis emoldurados
Ao modo que você deixou

domingo, 6 de novembro de 2011

Um Noite de Amor

Um Noite de Amor

Gemidos abafados
Sufocado em teu corpo
Envolto em teus desejos
Deliciando-me em teus beijos

A cada momento, a cada instante
Mordidas, caricias, enlouquecer
Teu corpo se entorpece em amor
A pele, os lábios, os cabelos, o calor

A ternura mais tentadora
O pecado mais angelical
A textura das mãos que apertam o lençol
Mistura de sussurros em poucos raios de sol

Provar em ímpeto teu fruto
Proibido é cessar este ardor
Delírio de corpos cansados no ar
Um último grito, um gozo, olhares, deitar

Amanhecer o dia mais feliz
Sonhando calmos, quase acordados
Abraçados, alguns suspiros
Dormir...