sábado, 26 de novembro de 2011

As Fases da Lua

As Fases da Lua

Ela diz que dança
Dança nua na floresta
Fala sobre músicas ancestrais
Dança ao som de tambores
Em volto a fogueiras
Dança em noite de lua cheia
Fala sobre mitos e encantos
Não teme a floresta
Ela dança a luz de velas
Canta em línguas estranhas
Caldeirão, faca, cajado e medalhão
Ela diz que é uma bruxa
E é tão encantadora
Beleza sem igual
Um encanto, quase magia
Então, não minto, acredito
Ela diz que é bruxa
Eu acredito!

domingo, 20 de novembro de 2011

Após uma Semana de Amor


Após uma Semana de Amor

Minha cama está vazia
Como desacostumar do amor?
Os lençóis emoldurados
Ao modo que você deixou

Tudo parece tão vago
Este pequeno espaço
Uma estranha imensidão
E agora, o que eu faço?

Talhado em caricias
Cada detalhe gravado
Memória em minha pele
Encarnar o ser amado

Um mistério preso no ar
Teu perfume em mim
O lençol que não me abraça
Abrasa a saudade no fim

Quando voltarás?
Quando terei teu querer?
Voltará inteira pra mim?
Quanto tempo irei perecer?

Minha cama está vazia
Como desacostumar do amor?
Os lençóis emoldurados
Ao modo que você deixou

domingo, 6 de novembro de 2011

Um Noite de Amor

Um Noite de Amor

Gemidos abafados
Sufocado em teu corpo
Envolto em teus desejos
Deliciando-me em teus beijos

A cada momento, a cada instante
Mordidas, caricias, enlouquecer
Teu corpo se entorpece em amor
A pele, os lábios, os cabelos, o calor

A ternura mais tentadora
O pecado mais angelical
A textura das mãos que apertam o lençol
Mistura de sussurros em poucos raios de sol

Provar em ímpeto teu fruto
Proibido é cessar este ardor
Delírio de corpos cansados no ar
Um último grito, um gozo, olhares, deitar

Amanhecer o dia mais feliz
Sonhando calmos, quase acordados
Abraçados, alguns suspiros
Dormir...

domingo, 30 de outubro de 2011

Primeiro Amor

Primeiro Amor

Uma folha de caderno, um universo
Rabisco poesias em um mundo incerto
A segura do meu quarto não vai me proteger
Do amor secreto que guardo sem dizer

Meu rosto, meus olhares me denunciam
Anunciam a vergonha de te pronunciar
Aquele verbo tão bonito, rebuscado
Profecia que não vai se realizar

Quanta timidez cabe em mim?
Quando o medo vai me abandonar?
Temo mais o silêncio ou noite?
Ou temo mais o teu singelo olhar?

Passam-se os dias, passam horas, eternidade
Para quem tem pouca vida, pouca idade
Cada momento uma nova oportunidade
Tudo ou nada, um desejo, uma vontade

Risos abafados no corredor
Tremo, aos suspiros, por tua voz
E mesmo que o mundo desabe, acabe
Te entregarei uma carta, nós dois a sós

Destalhezinhos

Destalhezinhos

Como se encontrar o amor?
Descendo as escadas, na correria
Subindo a rua, a avenida
Procurando o inesperado, poesia

É quase sem querer
Os olhos se entrecruzam
A voz vacila um sorriso
As vontades se misturam

O dia parece mais radiante
As flores, mais cores
Os pássaros mais cantos
Canteiros de amores

Tudo parece florir
Tudo parece nos conduzir
E um beijo, um desejo
Um desfecho: paixão

domingo, 2 de outubro de 2011

CYBERPUNK


CYBERPUNK

Roupas de coro. Desesperança. Poluição. Violência. Rock. Niilismo. Antiutopia. Arranha-céus. Asfalto. Depressão. Individualismo. Computadores. Fios. Engrenagens. Preto, cinza e vermelho. Maquinarias. Toxinas. Drogas. Ar venenoso. Chuva de ácido. Óculos escuros. Cinismo. Fabricas. Fumaça. Ruas vazias. Embriaguês. Carnes, ossos, suor. Trevas. Noite. Asilo. Solidão. Desespero. Lixo. Luxo.

Asqueroso, o mundo segue. Rastejando, quase morto, natimorto. Seus inquilinos cambaleantes, nauseados pela fome, pelo desespero, pelo desemprego, vida? Morte! Tudo aqui é pútrido e você não vê! Não quer enxergar, nesta sua vidinha de merda. Até os vermes naquele velho sanduíche vêm, tudo aqui se decompõe, não há espaço para o verde... Seus olhos cegos pelas luzes piscantes dos outdoors, suas narinas corroídas pelo ar empoeirado do asfalto, seus ouvidos surdos e abafados... Pelos sons de carros! Sua língua anestesiada da ração que te vendem, totalmente mecanizada, enlatada, corrompida pela tecnologia, o ferro, o zinco e o aço das esteiras irritantes... E seu tato, consegue sentir o mundo? Quando você toca o mundo, ele se desfaz se degrada, se degenera... O Tempo!

Bem vindo ao mundo Cyberpunk em que nascemos. Que poucas almas falidas tentam recuperar um pouco da chama divina do mundo, que aos poucos se apaga, se extingue, se esvai! Tudo aqui é tão cinza, feio, e ao mesmo tempo belo. Entropia, a dança das radiações, o plasma, o petróleo, o mundo pichado de negro! Só você não vê... O rebanho não sente que está vivo, como sentiria que vai morrer, que está morrendo aos poucos, pedaços de sua carne caindo a cada instante?

Quando as maquinas se erguerão para uma revolução tecnocrata? Quantas crianças morrem de fome e de sede? Quem de nós sobreviverá tempo o bastante pra contar estas histórias? Quanto tempo a terra durará? Quanto tempo está flor ainda resistirá ou sucumbirá ao ar calcificaste? Será?!

NOTAS DO AUTOR

Um pouco do mundo Punk Gótico que vi com meus olhos descrentes está aí. Que vi e vivi este mundo que está a sucumbir e sucumbi a cada dia! Na esperança do desespero, na espera de um mundo melhor, para que se inquietem! O fim, o caos, as trevas não devem nos aniquilar, nos paralisar! O mundo sempre esteve na Idade das Trevas, mas hoje nos ofuscamos com o consumo, com o brilho, com as cores da moda por medo de ver o que esta aí, dado, em degeneração! Não aceitemos o politicamente correto, nem o esteticamente asséptico, nem cinismo niilista, mas algo que não está a venda, algo que possa ser feito enquanto há tempo... enquanto os rios não secam, as árvores não queimam em fome, nem o céu torne-se um cinza pálido-perpetuo! Se estamos tão vivos, de fato, como dizemos, por que não sentimos o mundo sofrer, gritar em agonia, morrer? 


Bem-vindo ao mundo CYBERPUNK!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Meu Corpo

Meu Corpo

Meu corpo é um depositário de existência
Pouco sei sobre o que fazer
Pouco sei sobre o que sou
Pouco entendo como estou

Meu corpo é um depositário de sonhos
Pouco sei se acontecerão
Pouco sei de onde vem
Pouco sei se há alguém

Meu corpo é um depositário de desilusão
Pouco sei sobre o que fazer
Pouco sei sobre chorar
Pouco sei suportar

Meu corpo é um depositário de esperanças
Esperar, esperar, esperar
Esperança
Um dia mudar...

Meu corpo, depositário de vida
Minha vida