segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ainda Sei Falar de Amor

Ainda Sei Falar de Amor

Ainda sei falar de amor
Ainda rimo em bom português
Palavras cheias de sabor
Frutos proibidos, solidez

Ainda acredito em paixão
Aqueles versos desmedidos
Tracejados pelo coração
Que guardo esquecidos

Ainda fujo da suposta dor
De minha pobre sensatez
De não me entregar a um amor
De não enlouquecer de vez

Assim os dias vêm e vão
Palavras cruzadas em poesia
Batidas surdas do coração
Versando pequenas melodias

Cabe a você transformar
Resgatar estas alegrias
Te versarei frutos de meu pomar
Meus pecados e fantasias

E ainda sei falar de amor
Mesmo fugindo das feridas
Venha me tirar deste torpor
Colher tua fruta preferida

Sócio-econômico

Sócio-econômico

Esqueci as chaves de casa
Que diferença isso faz
Todo lugar é perigoso
Perigo pra todo rapaz

Não há muito que viver
Apenas sexo, drogas e prostituição
Tudo isso vejo na TV
Ou qualquer site e sua poluição

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Tudo contado e cotado
Maquiado, vendido como perfeito
Nos vendem a inevitabilidade
De sermos um pedaço de carne imperfeito

Cada passo em falso
É a certeza de um vislumbramento
Uma vitrine que nos balança
As ofertas estratosféricas do firmamento

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Estamos tão cegos com as luzes
Como tolos vaga-lumes
Que se queimam pela própria leveza
De não ser alguém sem vislumbres

Nos vendem nossa liberdade
E acreditamos continuar presos
Não importando qual a verdade
Apenas que lucremos com o menor preço

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Sobre Pais e Filhos

Sobre Pais e Filhos

Falamos português
Mas falamos a mesma língua?
Pretensões de compreender
Tuas exigências, minha sina

Trancado no meu quarto
Tudo parece tão normal
Minhas notas baixas
Meu precário curso de inglês

Eu te falo de musica e amor
Você me julga não entender de dinheiro
Mas, o que eu quero, nem sei
Nem de quanto precisarei...

Não me entendo como inconseqüente
Eu só não quero ser precoce
Esta pose de bom burguês
Respeitável e de boas posses

Minhas gírias te aborrecem
Meus desejos te enlouquecem
Mas você não ouve, a minha voz
Nem quando estamos a sós

E o que podemos fazer?
Esperar o fim do mundo?
Mudar de endereço?
Sei que tem medo de me vê crescer!

E é por isso que eu aguardo
Tuas respostas e frases feitas
Tuas palavras polidas
Tuas verdades e mentiras

Janeiro à Janeiro

Janeiro à Janeiro

O dia amanheceu e
Em claro, eu sei
É que as coisas vão ficar
Estáticas, entenderei

Mal compreendo os raios do sol
A sós, doem as pestanas
O dia me incomoda a ressaca
Do mar, que vejo pelas venezianas

Cada coisa em seu lugar
Cada qual em cada qual
Tudo na varanda, em pó, poeira
Tudo para o ego é normal

Meu tédio cheio de si
Minha vida cheia de nada
Tudo tão vago como o alfabeto
Palavras cruzadas

Mas que um dia nasça o amor
Que tudo se perca de mim
Não faça sentido, faça feliz
Se entenda no fim

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

As madrugadas, hoje, são tão normais.

As madrugadas, hoje, são tão normais.

As madrugadas de hoje são de insônia, as de antes eram de “não dormir”, era um mundo fabuloso! Nossas madrugadas eram nosso refugio de nossos deveres estudantis, ou, simplesmente, não eram nada, apenas uma desculpa para ser feliz. Um meio para nos divertir!

Não precisávamos de tema especial, data de nascimento ou convite incomum para infligir umas leis, umas normas, levemente, quebrar algumas regras. Nada tinha um gosto mais doce do que fugir pelos portões daquele pensionato. Nada era mais belo, bobo, simples e cheio de vida.

Fingir dormir. Escorregar entre os lençóis. Convidar os demais pra sair. Estes já estarem esperando e se perguntando se você tinha desistido de fugir, sumir no mundo... Olhar pela janela e verificar se a ala feminina já havia roubado as chaves. Descer as escadas, e cambalear por entre umas cadeiras. O ranger da porta, o silencio forçado do portão: liberdade!

Entre os dedos garrafas de bebida, cigarros, sorrisos e uma vontade irresistível de não pensar em nada, apenas viver! Cada gole, cada tragada, a vida se diluindo em nossas veias, em pequenas doses de pecado e mentiras... Afinal, mentíamos não nos preocupar com nada.

Rolar na grama, correr, cantar, pular, tudo em alegria, sem medo ou censura! Éramos o que se pode chamar de filhos da noite, meninos perdidos, jovens degenerados, rebeldes sem causa, ou, simplesmente, pequenos vândalos...

Claro que ocorriam efeitos colaterais: faltar umas aulas, ressaca, entre outras coisas como, o mais divertido, deixar o velho Petruz louco de raiva junto de seu sotaque carregado de um holandês forçado, posto que este era um poliglota! Descanse em paz jovem Petruz que tanto nos aturou... Reza a lenda que ele só conseguiu morrer depois que cada um de nós, finalmente, havia deixado seu estabelecimento. Só assim garantia que não o virássemos de cabeça a baixo!

Eram bons dias, aliás, belas madrugadas, que nos acolhiam com seus mantos negros e gentis! Todo anoitecer era um convite a festa, sem pressa, sem tema, apenas fonemas: “bó?!”.

Enfim, um copo de vinho, um frio, um silêncio e minhas verdades. Não guardo fotografias, mas muitas lembranças! Hoje as noites são tão iguais, tão previsíveis, tão apáticas. As madrugadas, hoje, são tão normais!

Sei que estes relatos nunca superarão os sentidos que me vem ao corpo quando lembro tudo o que vivi, vi e aprendi, como é possível ser feliz em tão curto espaço de tempo, sem pretensões maiores de ser, apenas viver!

O Sonhar


Bem, é assim que nascem os mitos: uma bela e doce mentira escrita nas linhas do tempo, sem grandes pretensões, mas de um alto teor entorpecente de poesia. Há tempos se buscar uma veritas scientia, mas, há tempos, não se sabe o que é um Amor Fati... Bem, de todo modo, me apego a um breve e recorrente Sonhar!

Inspirado em "Sandman: Os Caçadores de Sonhos"

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Pequenos Fragmentos de Amor

Pequenos Fragmentos de Amor

Quando ela se move
Me envolve em seus movimentos
Desabrochando sorrisos
Pequenos encantamentos

Quando me chama
Clama o vento por tal melodia
Canarinhos a tagarelar
Melodiosas harmonias

Quando a relembro
Dezembro se estende
Não entende a distância
A saudade compreende

Voe logo pra mim
Pequena borboleta roxa
Rouxinol canoro, sonhador
Minha pequena, meu amor