sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Saudades de uma Sexta

Saudades de uma Sexta

O mundo inteiro acontecendo lá fora e eu, aqui dentro, não dentro de meu quarto, dentro de meu peito, um vazio cheio de saudades. Onde foi para o brilho do dia? Nos teus olhos? Talvez sim, por não vê-los, meus dias parecem tão mais cinzentos...

E este frio em meu peito, parece uma chama que se apaga lentamente por falta de seu combustível. Meu combustível, talvez, seria teu sorriso, teu calor, este contato quente que acontece entre nossos corpos, esta união de vidas, dos encontros cada vez mais pulsantes.

Esta casa vazia só representa o tamanho da minha solidão: espaços vagos e cheios de significados. Cada detalhe a minha volta me lembra você, fotos, roupas, lembranças, todas impregnadas em minha pele. O café na manhã é tão sem graça, cadeiras vazias e um amargor na boca. Ah vida!

Sinto saudades más neste momento, aquele tipo de saudade que aperta o peito, mas não traz aconchego, não representa um beijo de despedida de namorada, apenas o adeus discreto e pálido.

Te amo, se não amasse não sofreria tanto assim, tão desesperadamente romântico, aos moldes mais ridículos que um mero poeta de rua viveria. Volte logo pros meus braços...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Izabella, com Amor.

A Izabella, com Amor.

Sensação estanha de parecer viver o fim de um seriado (ou pelo menos o fim de uma temporada). Ver a linha do horizonte cortando o céu azul, um céu nublado, parecendo compreender minha doce solidão, meu retorno a vida real, que é me separar de meu amor. Acordar de um sonho lindo!

Tudo parece tão em calma. O clima meio frio, em uma cidade tão abafada, parece surreal. A paisagem harmônica, paradoxal a tudo o que se vê em dias comuns, como chamamos. As folhas secas que caem das árvores, um silêncio de fim de ano. As nuvens cinza no céu, anunciando uma noite solitária, nada solidária. Um gole de café.

Ouvir Cazuza, Legião e, até, Coldplay tomam um tom diferente do normal. Minha aquarela vivida está borrada com tons de saudosismo. Esta tinta que mancha minha tela é a saliva bebida de teus lábios, doces e suculentos. Este mundo vai deixando o dia amargo, mais que o meu café que toca meu degustar. A docilidade que há em teus beijos só faz sentido em teu lado, sem ti, o mundo amargo!

Não quero que sinta pena, mas compreenda que o brilho de teus olhos ilumina meus dias. O toque de tua pele me acalenta e me esquenta o coração. Que o perfume que teus cabelos exalam, me entorpece os sentidos, me fazendo sonhar acordado.

São pequenos detalhes de um domingo parado. Ruas vazias. Casa silenciosa. Músicas melosas. Tudo muito calmo e sonolento. Tão distante está minha paz, meu ser, meu querer, meu amar!

Sou grato pela tua presença e tua ausência. Uma me faz viver, a outra me faz escrever!
São as faces necessárias a um poeta.
Sou-te grato, minha musa.

Imperativo Sonhar

Imperativo Sonhar

Senta aqui
Posso te falar das coisas bobas
Posso te contar das coisas tolas
Que você inventou pra mim

Vem pra cá
Deixa eu te mostrar o que quero dizer
Deixa eu te encantar com minhas novas mentiras
Que eu não quero apenas você

Deixa tudo e vem
À hora é esta, mesmo sem por que
Mesmo sem querer, há algo ali
Escondido em teu sorriso e quero sorver

Vem me ver
E, quem sabe, voar sem perceber
Se balançar nos meus braços, sonhar
Teu corpo flutuar, meu bem-querer

Sinta meu sonhar
Fantasias diluídas no ar
Fotografias desenhadas em poesia
Sentir um encanto, uma magia...

Ainda Sei Falar de Amor

Ainda Sei Falar de Amor

Ainda sei falar de amor
Ainda rimo em bom português
Palavras cheias de sabor
Frutos proibidos, solidez

Ainda acredito em paixão
Aqueles versos desmedidos
Tracejados pelo coração
Que guardo esquecidos

Ainda fujo da suposta dor
De minha pobre sensatez
De não me entregar a um amor
De não enlouquecer de vez

Assim os dias vêm e vão
Palavras cruzadas em poesia
Batidas surdas do coração
Versando pequenas melodias

Cabe a você transformar
Resgatar estas alegrias
Te versarei frutos de meu pomar
Meus pecados e fantasias

E ainda sei falar de amor
Mesmo fugindo das feridas
Venha me tirar deste torpor
Colher tua fruta preferida

Sócio-econômico

Sócio-econômico

Esqueci as chaves de casa
Que diferença isso faz
Todo lugar é perigoso
Perigo pra todo rapaz

Não há muito que viver
Apenas sexo, drogas e prostituição
Tudo isso vejo na TV
Ou qualquer site e sua poluição

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Tudo contado e cotado
Maquiado, vendido como perfeito
Nos vendem a inevitabilidade
De sermos um pedaço de carne imperfeito

Cada passo em falso
É a certeza de um vislumbramento
Uma vitrine que nos balança
As ofertas estratosféricas do firmamento

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Estamos tão cegos com as luzes
Como tolos vaga-lumes
Que se queimam pela própria leveza
De não ser alguém sem vislumbres

Nos vendem nossa liberdade
E acreditamos continuar presos
Não importando qual a verdade
Apenas que lucremos com o menor preço

Somos cúmplices visuais
Somos os filhos perdidos de uma nação
Somos sobreviventes amargos
Somos o holocausto desta civilização

Sobre Pais e Filhos

Sobre Pais e Filhos

Falamos português
Mas falamos a mesma língua?
Pretensões de compreender
Tuas exigências, minha sina

Trancado no meu quarto
Tudo parece tão normal
Minhas notas baixas
Meu precário curso de inglês

Eu te falo de musica e amor
Você me julga não entender de dinheiro
Mas, o que eu quero, nem sei
Nem de quanto precisarei...

Não me entendo como inconseqüente
Eu só não quero ser precoce
Esta pose de bom burguês
Respeitável e de boas posses

Minhas gírias te aborrecem
Meus desejos te enlouquecem
Mas você não ouve, a minha voz
Nem quando estamos a sós

E o que podemos fazer?
Esperar o fim do mundo?
Mudar de endereço?
Sei que tem medo de me vê crescer!

E é por isso que eu aguardo
Tuas respostas e frases feitas
Tuas palavras polidas
Tuas verdades e mentiras

Janeiro à Janeiro

Janeiro à Janeiro

O dia amanheceu e
Em claro, eu sei
É que as coisas vão ficar
Estáticas, entenderei

Mal compreendo os raios do sol
A sós, doem as pestanas
O dia me incomoda a ressaca
Do mar, que vejo pelas venezianas

Cada coisa em seu lugar
Cada qual em cada qual
Tudo na varanda, em pó, poeira
Tudo para o ego é normal

Meu tédio cheio de si
Minha vida cheia de nada
Tudo tão vago como o alfabeto
Palavras cruzadas

Mas que um dia nasça o amor
Que tudo se perca de mim
Não faça sentido, faça feliz
Se entenda no fim