domingo, 30 de outubro de 2011

Primeiro Amor

Primeiro Amor

Uma folha de caderno, um universo
Rabisco poesias em um mundo incerto
A segura do meu quarto não vai me proteger
Do amor secreto que guardo sem dizer

Meu rosto, meus olhares me denunciam
Anunciam a vergonha de te pronunciar
Aquele verbo tão bonito, rebuscado
Profecia que não vai se realizar

Quanta timidez cabe em mim?
Quando o medo vai me abandonar?
Temo mais o silêncio ou noite?
Ou temo mais o teu singelo olhar?

Passam-se os dias, passam horas, eternidade
Para quem tem pouca vida, pouca idade
Cada momento uma nova oportunidade
Tudo ou nada, um desejo, uma vontade

Risos abafados no corredor
Tremo, aos suspiros, por tua voz
E mesmo que o mundo desabe, acabe
Te entregarei uma carta, nós dois a sós

Destalhezinhos

Destalhezinhos

Como se encontrar o amor?
Descendo as escadas, na correria
Subindo a rua, a avenida
Procurando o inesperado, poesia

É quase sem querer
Os olhos se entrecruzam
A voz vacila um sorriso
As vontades se misturam

O dia parece mais radiante
As flores, mais cores
Os pássaros mais cantos
Canteiros de amores

Tudo parece florir
Tudo parece nos conduzir
E um beijo, um desejo
Um desfecho: paixão

domingo, 2 de outubro de 2011

CYBERPUNK


CYBERPUNK

Roupas de coro. Desesperança. Poluição. Violência. Rock. Niilismo. Antiutopia. Arranha-céus. Asfalto. Depressão. Individualismo. Computadores. Fios. Engrenagens. Preto, cinza e vermelho. Maquinarias. Toxinas. Drogas. Ar venenoso. Chuva de ácido. Óculos escuros. Cinismo. Fabricas. Fumaça. Ruas vazias. Embriaguês. Carnes, ossos, suor. Trevas. Noite. Asilo. Solidão. Desespero. Lixo. Luxo.

Asqueroso, o mundo segue. Rastejando, quase morto, natimorto. Seus inquilinos cambaleantes, nauseados pela fome, pelo desespero, pelo desemprego, vida? Morte! Tudo aqui é pútrido e você não vê! Não quer enxergar, nesta sua vidinha de merda. Até os vermes naquele velho sanduíche vêm, tudo aqui se decompõe, não há espaço para o verde... Seus olhos cegos pelas luzes piscantes dos outdoors, suas narinas corroídas pelo ar empoeirado do asfalto, seus ouvidos surdos e abafados... Pelos sons de carros! Sua língua anestesiada da ração que te vendem, totalmente mecanizada, enlatada, corrompida pela tecnologia, o ferro, o zinco e o aço das esteiras irritantes... E seu tato, consegue sentir o mundo? Quando você toca o mundo, ele se desfaz se degrada, se degenera... O Tempo!

Bem vindo ao mundo Cyberpunk em que nascemos. Que poucas almas falidas tentam recuperar um pouco da chama divina do mundo, que aos poucos se apaga, se extingue, se esvai! Tudo aqui é tão cinza, feio, e ao mesmo tempo belo. Entropia, a dança das radiações, o plasma, o petróleo, o mundo pichado de negro! Só você não vê... O rebanho não sente que está vivo, como sentiria que vai morrer, que está morrendo aos poucos, pedaços de sua carne caindo a cada instante?

Quando as maquinas se erguerão para uma revolução tecnocrata? Quantas crianças morrem de fome e de sede? Quem de nós sobreviverá tempo o bastante pra contar estas histórias? Quanto tempo a terra durará? Quanto tempo está flor ainda resistirá ou sucumbirá ao ar calcificaste? Será?!

NOTAS DO AUTOR

Um pouco do mundo Punk Gótico que vi com meus olhos descrentes está aí. Que vi e vivi este mundo que está a sucumbir e sucumbi a cada dia! Na esperança do desespero, na espera de um mundo melhor, para que se inquietem! O fim, o caos, as trevas não devem nos aniquilar, nos paralisar! O mundo sempre esteve na Idade das Trevas, mas hoje nos ofuscamos com o consumo, com o brilho, com as cores da moda por medo de ver o que esta aí, dado, em degeneração! Não aceitemos o politicamente correto, nem o esteticamente asséptico, nem cinismo niilista, mas algo que não está a venda, algo que possa ser feito enquanto há tempo... enquanto os rios não secam, as árvores não queimam em fome, nem o céu torne-se um cinza pálido-perpetuo! Se estamos tão vivos, de fato, como dizemos, por que não sentimos o mundo sofrer, gritar em agonia, morrer? 


Bem-vindo ao mundo CYBERPUNK!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Meu Corpo

Meu Corpo

Meu corpo é um depositário de existência
Pouco sei sobre o que fazer
Pouco sei sobre o que sou
Pouco entendo como estou

Meu corpo é um depositário de sonhos
Pouco sei se acontecerão
Pouco sei de onde vem
Pouco sei se há alguém

Meu corpo é um depositário de desilusão
Pouco sei sobre o que fazer
Pouco sei sobre chorar
Pouco sei suportar

Meu corpo é um depositário de esperanças
Esperar, esperar, esperar
Esperança
Um dia mudar...

Meu corpo, depositário de vida
Minha vida

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nobre Burguês

Nobre Burguês

Eu nunca fui um bom menino
Mas quem de fato o quer ser?
O que nos prometem é profano
Dê-nos o fruto proibido, o normal e o insano

Não tenho mais saco pra televisão
Hoje, sei contar minhas próprias mentiras
Inventar novos vícios e virtudes
Vender e comprar pacotes de atitude

Eu saberia ser um bom burguês
Arrotar como um velho luso-português
Ninguém me explicou as respostas
Minha dúvida é minha grande aposta

Não tenho tempo para dissimulação
Sou tolo mesmo, sem educação
O futuro é uma mera possibilidade
De estatísticas não vive a verdade

Quero vinho, quero a menina
Que me provoca que me alucina
Meu dinheiro é o milagre da vida
Tenho crédito no bar da avenida

Fim do mês o corre-corre
Se o chefe pega, alguém logo morre
Não tenho tempo para sensatez
Um dia me torno um nobre burguês

Amor anos 80

Amor anos 80

Eu te encontrei
Você me desencontrou
Nem pude perceber
Quando a TV pifou

Cenas e reprises
Quase um filme de terror
Suspense e soluços
Será que ‘inda é amor?

A carta que enviei
Não sei quem encontrou
Se o correio perdeu
Ou o carteiro roubou

Você pode não crer
Nem tentar acreditar
Não sei se te magoei
Quando tentei me resguardar

Agora só restam preces, promessas
Baladas antigas, Cazuza e Barão
Quase maior abandonado
Quase sem querer, no meio da Legião

Eu te encontrei
Você me desencontrou
Não fizemos nada errado
Mas nosso lance acabou

Eu, solidão


Eu, solidão

Onde estou
Onde estão
Meus sonhos
Eu, solidão

Pequenas levezas
Detalhes escondidos
Partes de mim
Sonhos perdidos

Cada capricho
Cada sorriso
Cada lembrança
Só isso...

Diluídos no tempo
Pretérito, passado
Imperfeito momento
Fotográficas, retratos

Onde estou
Onde estão
Meus sonhos
Eu, solidão...