sábado, 7 de agosto de 2010

Em definição

Em definição

Sou um bicho arisco
Sou um moço no asfalto
Sou de pé no chão

Sou livre do ninho
Sou orgulho e coragem
Sou coração

Sou vergonha e vontade
Sou o luxo do lixo
Sou solitário sem solidão

Sou bondade e bobagem
Sou aquilo e sou isso
Sou indefinição

Juras a uma Perfeição

Juras a uma Perfeição

Quando te beijei
Quis morrer
Quis morrer em solidão
Pra não te magoar
Um tão belo coração

Quando eu me deitei
Eu não rezei
Quis ser ateu
O paraíso é aqui
E eu sorri!

Quando eu me entreguei
Eu não fui eu
Quis ser teu
Um pedaço de ti
Mas grudado em mim

Ah, toda perfeição
Ah, tanta perfeição
E não preciso sonhar
Eu preciso de ti. Preciso amar!

Verso Solto para Alguem

Verso Solto para Alguem

Quando eu disse te amo
Eu me amei
Quando eu disse te quero
Eu me quis
Quando eu disse te adoro
Eu me adorei
Quando eu disse te desejo
Eu me desejei
Quando eu te beijo e abraço
Eu já não sei
Eu já não sou
Em uma mistura só
Somos um, somos um nó

Madrugadas Poesias

Madrugadas Poesias

Quero uma companhia pra madrugada
Nem que seja um copo de vinho, quase nada.
Um sorriso sincero, uma roupa levada,
Escurinho maneiro, beijo de namorada.

As coisas vão se levando assim
Perdendo as horas, se perdendo de mim.
Não dou vexame, eu sou um mero ator,
Que não sabe medir o que é belo e pudor.

Não sei se escolho Cazuza ou titã,
Mutantes, Novos Baianos ou Djavan
Mas nas ondas de radio não tem melodia
Nem sequer poesia

Agora vai ficando tudo misturado
Clima, música, vinho, teu gingado.
Os lençóis fingem um ninho de amor,
Que nos chamam, e nem sei se tu vai se eu vou...

E no final da noite, do fruto proibido
Do amor sincero, roubado e bonito.
Roubei do teu corpo o licor temperado
Da fruta vermelha de teu veneno encarnado.

E em um carrossel voamos
Em um voou nos entregamos
E a madrugada já não é mais fria ou solitária
E agora adormece ao desligar da luminária.

Angustia

Angústia

Quando os olhos alcançam à fantasia, ou quando a fantasia se desfaz aos olhos, quando nos deixamos mergulhar nesta, as coisas parecem se perder de si, se desfazer no ar, toda certeza, agora, não passa de um fracasso vago, por mais que acertemos, pois a insegurança nos persegue a mente, o silencio não se sente e o frio é apenas o suor no rosto que cai. Há alguma coisa acontecendo ali.

E acontece a cada dia, nem queremos ver o perceber, nem nos percebemos enquanto gente. Até que um dia, a gente acorda e pensa: “que merda de vida é esta, eu já não me reconheço mais; eu já não sou tão feliz, como sonhei ser; nada acabou, mas nada começou; fico sempre no mais do mesmo e isto não me basta, eu quero algo a mais”... Mas o pior de tudo é não saber o que se quer e ficar abobalhado entre mil ilusões pirotécnicas que a vida nos mostra, viver!

E quando o sol vem nascendo, nada está resolvido, será mais um dia de tédio, ou estresse, ou calmaria sem fim, mas nenhuma emoção que nos faça sentir vivo, ou carinho que nos faça sentir gente, apenas olhares aterradores que espreitam prontamente e atacar, todos com suas boas intenções travestidas de um discurso político capitalizado tem tempo e espaço, de ser e fazer, de nunca pensar só repetir, e assim vagam-se os dias!

E quando cai a noite, sempre a mesma ingratidão, após um dia cansativo. Muitos pensamentos sobre a vida, o mundo, as coisas e as idéias... Nada se resolve ou tem ponto final, afinal de contas, nos sentimos sós, únicos e calados, vagando em nossos pensamentos que não são nossos, pois por mais singulares que sejam, qualquer poeta poderia configura-lo em um poema universalizante! É, queremos ser únicos e incríveis, em vez de sermos bons e amáveis...

E no fim de tudo, mais um escrito cansado, de palavras aparentemente vazias, um derramar de idéias e angustias frias, tudo em um copo cheio de vida e morte, pois assim são as coisas passageiras (da vida), efêmeras como fogos de artifício, que de muito lindo se desfaz no ar, como estrelas cadentes que depois de mortas ainda expõem uma viva e tremeluzente brilho fantasmagórico de que um dia foi.

domingo, 30 de maio de 2010

No Alto do Pico da Sabedoria

No Alto do Pico da Sabedoria

Há quanto tempo?
Há quanto espaço?
Tempo-espaço em compasso
Dançando no palco universo
Infinito em falso

Bêbados e bailarinas
Mil cordas bambas
Emaranhado de vidas soltas
Laços, moveis, frágeis, quebráveis

O quão longe é?
O quão tarde será?
Acho que mais longe
E mais tarde
Ao passo que fico a esperar

O fio de ouro de Ariadne
O corte frio das Parcas
O vento forte das Horas
Quem sou eu agora?
Perdido no tempo e no espaço
Universo insolúvel café
Quem fui, sou, serei, o que é?

domingo, 23 de maio de 2010

Tempos e Perguntas

Tempos e Perguntas

Quando começou? Antes, agora ou depois? Talvez nunca achemos a resposta, mas sempre temos uma pergunta:


-Quando foi mesmo que eu comecei a te amar?

Parar, suspirar, olhar nos olhos e sorrir, simultaneamente ou não, beijar-te e, com certeza, em seguida?

-Chaaaaaaaaaaaaaaaaaata!

Só por que eu te amo eu não te dou o direito de ser tão chata assim e mudar toda minha vida, fazer-me acordar toda manhã pensando em ti, imaginar o toque da tua pele e me sentir abraçado, não te dou o direito de ser tão importante pra mim em tão pouco tempo. tu é chaaaaaaaata demais, por tudo isto, e mais importante, por ser meu amor.

Antes, agora ou depois? Quando foi mesmo o dia que eu aprendi a te amar? Apenas sei que te amaria assim que eu te encontrasse...

Não há respostas, só o verbo amar!