domingo, 10 de janeiro de 2010

Voar

Voar

Simplesmente voar
Levitar das folhas secas
O vento que acaricia a flor
O movimento do ar

Simplesmente voar
Se deixando leve
Se deixando levar
Sedo um sorriso breve

Simplesmente voar
Como um pensamento
Uma lembrança
Como um sentimento

Simplesmente voar
Como um sorriso trocado
Um olhar furtivo
Beijos que flutuam a se encontrar

Simplesmente voar
E como vôo estes dias
Breve e leve como pluma
Ultraleve como sonhar

Porquês

Porquês

Por que escrever, afinal? Por que está vontade de expor o que não costumo dizer oralmente? Por que esta busca por palavras que digam um pouco de mim e do que sinto? Por que este desejo contrário de, às vezes, deixá-los em segredo para que alguns não os vejam?

São tantos porquês que comumente não me passam enquanto escrevo, mas hoje, em especial, me vieram estas perguntas enquanto escrevia a “Poesia Inacabada”. Este nome também se remete ao nome do blog que tenho cultivando, quase que diariamente, com poesias, que, sinceramente, questiono-me se são de fato bem escritas ou não. Se realmente alcançam o seu destino, se é que há destino, e se comunica o que deve, se é que é seu dever...

Com alguns amigos compartilho um projeto chamado “Poemas Fingidos”, mas já não sei fingir tão bem ao escrever. Agora, eu escrevo o que vem do que vivi e que vivo, e talvez viva. Vem da ânsia de reviver a cada dia a presença silenciosa de quem já não está ao meu lado, ou de produzir presentes às pessoas que dedico alguns versos e palavras. Poemas Fingidos ou Inacabados agora são parte do meu cotidiano!

Não sei achar respostas para explicar por que escrever, ou por que compartilhar versos, ou por que ansiar um grupo de poesias, apenas sei escrever com carinho e prazer! Escrever basta como resposta?

Poesia Inacabada

Poesia Inacabada

Tudo aqui me lembra você
E mesmo no silêncio
Todos podem ver
Que agora sou teu

Toda letra que escrevo
Todo verso bem rimado
Tudo dedico a ti
Sem querer entregá-los

Escrevo cartas de amor
Extensas e quase sem fim
Escolho palavra por palavra
E nunca envio ao correio

Guardo-as todas para mim
Para o meu silêncio
Fiel companheiro a esperar
Quando iremos nos rever

Escrevo em todos os lugares
Teu nome virou verso continuo
Nas paredes, no papel de pão
Até em minha pele está gravado

Tudo e nada se encontram aqui
Tua presença sem estar
Teu sorriso sem sorrir
O teus lábios...

Tudo permanece em mim
Sem que esteja comigo
Sem que possa dizer meu
Sem que eu possa imaginar o contrario

Fico aqui parado
A esperar de um sim, talvez
De um te quero para sempre
Mesmo sabendo que sempre é demais

Apenas pelo gostinho do gesto
Do abraço, do aperto
Do sorriso, dos cabelos
Do encontro de lábios

Finalmente um verso que faço
E posso dizer que se encontra sem fim
Mas cheio daquilo que ficará pela metade
Que me fará escrever, mas sem entregar

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Vício de Escrever

O Vício de Escrever

É legal ter bons hábitos, porém quando eles viram vícios, pode ser um problema. Será que podemos chamar mesmo de problema o vício da escrita? Não sei dizer ainda, mas me encontro neste estado!

Faz alguns dias que venho me negando a escrever uma nova poessia, não quero escrever poesia este ano, acho que é preciso ter novas inspirações, novos arranjos de palavras, novas rimas, uma nova postura, enfim, um novo, mas me vem aquela constante vontade de escrever.

Para evitar falar uma das muitas frases rimadas vim apenas falar da dificuldade que é tentar se manter em abstinência do ato de escrever, por que faz tão parte da minha vida como acordar cedo e ir de encontro ao mundo, simplesmente víciei. CUIDADO: escrever vícia!!!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Seria a Sereia Meu Amor?

Seria a Sereia Meu Amor?

Quantas conchas na areia
Tuas cochas no mar
Pés molhados de sereia
Fruto proibido a se provar

Frutos do mar e da terra
De se colher e cultivar
Nem imagina a guerra
Que é fugir do teu olhar

Seria então amor?
Sereia me encantou!
Seria então amor?
Sereia me encantou!

Corpo molhado de sal
Corpo de tom sedutor
Férias e carnaval
De sábio escultor

Moça dos cabelos de vela
Deixa eu neles navegar
Queres ser a minha bela?
Vem comigo ficar!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Ultima Poesia Antes de Dormir

A Ultima Poesia Antes de Dormir

A ultima poesia antes de dormir
É como fazer a cama
Preparar os travesseiros
Apagar a luz, a chama

É dormir o fogo do amor
É soltar o mais silencioso som
É deixar o sentimento correr
É sonhar antes de adormecer

É o cansaço que cria
A criação nada divina
A divindade poesia
Que se faz verso em rima fina

É descansar a pena no cansaço
É conhecer o mais louco desejo
É desejar o ser amado
É desejar ser amado

A ultima poesia antes de dormir
É como libertar
a quem se ama
Desfazer a gaiola em escritos
Desfazer em amor a cama

Surto Poético

Surto Poético

Afinal de contas o que é um surto poético?
É uma pequena aventura
É um desejo secreto
É uma invenção de ternura?

Me nego a responder
Ás vezes é falta de amor
Excesso de amar
Falta do que fazer

Dependendo do que for
Pode ser o não ter
Ou ter e não saber
O mais puro e belo amor

Agora se desfaz em pétala a poesia
Se desfaz em pranto minha alegria
Se mantém em falso minha fantasia
Dorme calma em mim tua elegia

Afinal de contas de que vale versar
Se o poético verso não vai te encantar
Se minha rima escolhida não vai te inspirar
Se minha pouca ternura não vai te encharcar