sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Procura


A Procura

Afinal, o que aconteceu? Ninguém percebe meu silêncio? O mundo está um caos, sabe? Eu devo ter passado muito tempo calado, mas não em silêncio, mas as pessoas não perceberam. Hoje, eu não estou calado no calor criativo, mas no gélido silêncio pensador.

Reverti-me de vários adornos e armaduras, escudos e espadas para enfrentar o mundo, mas, quando de fato estou ferido, não consigo me desvencilhar de tudo isto e simplesmente sentir a flecha que me atingiu, no pequeno espaço do momento, no golpe do destino, no movimento das eras.

É muito difícil ser humano, mais fácil seria ser semideus, imponente insensível. Voltar-se para sua própria dor é um ato heróico, maduro, mas como é que se faz isso mesmo? Simplesmente há algo dentro de mim que precisa ser sentido, mesmo eu não sabendo o que se é e como sentir, existe algo nem bom, nem ruim, necessário para me sentir vivo, mortal, passível de amor e delírio!

Eu não abandonei a espada, não derrubei o escudo, não estive em um silêncio tão profundo, nem mesmo me deixei atingir por algo. Apenas sinto que preciso sentir algo intenso, de preferência que me comova, me ponha em prantos, desestabilize-me, que eu perceba que ainda estou vivo e há perigos maiores por vir e que estes que estão passando ou passaram são meros fantasmas que vem me alertar dos novos gigantes nas colinas, dos feiticeiros incansáveis e dos reinos do submundo, reinos proibidos...

Eu preciso sentir algo mais intenso do que meu próprio coração batendo, algo que não me traga alegria e nem dor, mas me Desperte!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Das Pequenas Delicias da Vida

Das Pequenas Delicias da Vida

É muito difícil descrever aquilo que foi vivido e gravado na pele. Tuas curvas (se) moldam as minhas. Teus gestos acompanham os meus. Danças uma música sem melodia, mas cheia de acordes abafados, quem sabe, um dia, a luz de velas. É incrível como um mergulho em teu olhar, teus olhares, são mares, oceanos, de mistério, ternura e amor. Me inundo de teu ser. Me diluo nas tuas marés, me deixo ser parte de tua correnteza...

As pequenas carícias... a mão que passei pelo rosto, que desce pelo torso, se perde no infinito. Como semente que explora o mundo, ainda, não vivido, em busca de ar, de calor. Tateia a carne, a pele, encaixando-se para nascer, brotar, florescer. A semente penetra a terra para rompê-la, para borbulhar pequenos e invisíveis silvos do vento, ao tocar sua folhagem.

Cada traço, cada gesto, cada olhar. Estamos inteiros nisso. Flutuamos no infinito, entre as nuvens, entre as pedras... E meu corpo não cala o teu, abafa com sabor o pequeno afago de tua voz, dilacera toda necessidade de pensar, me entrega ao teu sentir, meu sentir.

Estas são as pequenas delicias da vida. [inomináveis]

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mitos Modernos

Mitos Modernos

Onde andam os violões
As velhas cantigas erradas?
Onde andam os brincalhões
E toda palhaçada?

Tudo bem que o mundo mudou
Mas há coisas que deviam ficar
Como beijo da menina
O desejo de ir além, sonhar!

É que são tempos difíceis
Tempos difíceis de amar
De visitar amigos perdidos
Difícil de acreditar

Onde andam os tambores
As brincadeiras de roda?
Onde andam os rumores
Que amar viraria moda?

TV virou religião
E fugir dos braços da menina
Tudo é motivo de solidão
Dizemos que ser só é nossa sina

Está estampado nos jornais
Perdemos tempo demais
Tentado viver um pouco mais
Mas viver de fato não se faz

Onde andam os poetas
E todos nós?
Onde andam nossos amores
Os deixamos a sós?

Velhas Vidas

Velhas Vidas

Era como atravessar a esquina
Fugir de casa e voltar
Olhar os olhos da menina
Então se apaixonar

Velhas lendas e mentiras escondidas
Entre as entranhas e os dedos
Que dedilham as fotos encardidas

Era como cair do alto
Sentir o peso do chão
Se esconder no mato
Dar asas ao coração

Velhas histórias perdidas
Recortadas na escuridão
Vagas e esquecidas na imensidão

Os velhos porta-retratos
O moveis empoeirados
O primeiro beijo
O primeiro namorado

Velhas lembranças corrompidas
Derretidas pela desilusão
Desejos que rebobina
Retrovisor das vidas que vem e vão

sexta-feira, 16 de março de 2012

DR’s

DR’s

Você tão cheia das certezas
Nunca parou pra me escutar
Só ouve o que te convêm
Parece não querer me amar

Este teu papo de tristeza
Parece um filme de terror
Meias verdades à mesa
Razão, um espelho que quebrou

Não adianta tentar me culpar
Rasguei a bíblia, envenenei meu amor
Não há vergonha de nada
Não sou o Judas que você beijou

Agora chega toda incriminada
Querendo me dar sermão
Baby, não me explore os ouvidos
Me escute, não sigo sim ou não... (talvez)

Você tão cheia das certezas
Nunca parou pra me escutar
Só ouve o que te convêm
Parece não querer me amar

sábado, 11 de fevereiro de 2012

De Boca em Boca

De Boca em Boca

De boca em boca
Passando a cereja
O tempo não passa
Vem mais cerveja

Num banco da praça
Músicas loucas e cores
Filtramos o álcool
Esquecemos as dores

Sorriso e meias verdades
A noite tão boa
Vamos numa boca-livre
Vivendo à toa

Não me telefona
Não enche meu saco
Encha meu copo
Me sinto um caco

Meia luz de motel
Baby, relaxe, acorde
Baby, não me ame
Apenas, me morde!

De boca a boca
Passando a cereja
O tempo não passa
Vem mais cerveja

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Blues da Aspirina

Blues da Aspirina

Sou um pequeno livro aberto
E tantas páginas arrancadas
De uma vida cheia
De mentiras escancaradas

A verdade é uma sopa
De muitas letrinhas
Se diluindo aos poucos
Sobrando só as entrelinhas

Neste festival incerto
Que o profeta não rogou
O bar é a parada certa
Que a esquina consagrou

E vejo anúncios na TV
Já não ando tão down
O vazio, em mim, tão vago
Já não causa tanto mal

Compradores, piscinas
Fazenda, cinema, jornal
Toda minha tristeza, angústia
Se dilui (se dilui) em crédito especial