quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Pela Janela do Carro (ou Na Estrada)

Pela Janela do Carro (ou Na Estrada)

Quando vejo a mim mesmo
É quando me vejo na estrada
Me vejo em movimento
As coisas não parecem mais estáticas

Me deparo com uma velha cerca caída
Ou uma casa vazia e abandonada
Várias coisas perdidas no caminho
Refletem o imperativo do destino...

(O tempo não abandona nada!)

O asfalto que serpenteia a frente
Serpenteia tateando futuros além
Escondendo segredos de quem veio, foi, quem vem
Por cima de tudo o que já foi (areia, piçarra, calçamento e estrada)

A poeira do sapato, a poeira do caminho
Dizem de destinos que já tracei
Contam histórias que nem lembro
E outras histórias que abandonei

É no movimento da estrada
Que me vejo em coisas passageiras
Distante do ponto de partida e chegada
Partindo de mim mesmo sem meios, sem medos...

(Na estrada!)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sobre Fazer Poesia

Sobre Fazer Poesia

Passou-se (mais) um dia
Eu disse que faria...
Poesia
Não fiz!

Não doeu
Nem chorei
Nem sofri
Mas, também, não escrevi

E o silêncio...
Não atormenta
Nem acalenta
(Suspiro)

Passou-se (mais) um dia
Eu disse que faria
E fiz! (dessa vez)

Poesia...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Unir Versos

Unir Versos

Meu corpo e a vastidão do universo
Teu corpo e os limites do sonhar
Desfazendo-se em luz e sombras
Multicoloridas e opacas acinzentadas

O céu é algo que se esconde
Milímetros acima de chão e poeira
Como um beijo, que se esconde
Por trás de malícias de tua pele

Onde está você que não vê
Que as estrelas danças sob nós
Que as nuvens são colchões d’água
E a chuva é uma cachoeira ambulante

O centro do universo entre nós
Em um abraçado mal dado, malvado
Dotado de ternura e amor
Rodopiando entre os sons da madrugada

Não há conto de fadas, nem floresta
Não a dogma religioso, nem paraíso
Não há ciência aplicada, nem métrica
Há apenas os limites de nossos corpos em colisão

(Universos...)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Queixas

Queixas

Abandonar todos os sonhos
Limpar a poeira da sola
Sair das amargas trilhas
Tirar o pé da estrada

Esquecer os rabiscos na mesa
Apagar as tintas da parede
Fechar as cortinas no por de sol
Sofrer um pouco mais sozinho

Esboçar um sorriso frio
Desejar ‘bom dia’ sem graça
Admitir os erros cantando
Dormir sem sono em prantos

Desistir da vitória certa
Errar mais uma vez sem engano
Exibir a ferida aberta
Queixar-se de viver mais um ano

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um Estranho Momento de Lucidez

Um Estranho Momento de Lucidez

O sal da tua pele em minha boca
O amargo gostoso que não desmanchou
O batom cor de rosa que marca
As feridas em minhas costas, que você deixou

O vinho derramado na parede
Alguns gemidos e meio tuas manhas
O batom borrado na cama, nos lençóis
Teus dentes, minha pele, tuas artimanhas

E delirar no teu mais simples toque
Firmar morada dentro no teu ser
Fingir verdades em meras mentiras
Delícias e malícias de prazer

Corpos que dançam sem melodia
Gemidos destilados no suor
Emaranhado de olhares e cabelos
Descansando em teus pelos e ao redor

Frenesi do encontro de paixões
De doçuras corrompidas em teus seios
A força do desejo que irrompe corações
A medida imperfeita do gozo devorado em seus meios

Foi mais uma noite de aventura
Enquanto adormeço em teus fugazes laços
Sussurra devaneios e outras desventuras
Mas, logo, amanheço solitário e sem teus braços

domingo, 4 de agosto de 2013

Não É Tempo de Poesia (ou Que Você Vai Ser Quando Crescer?)

Não É Tempo de Poesia (ou Que Você Vai Ser Quando Crescer?)

Sempre havia alguma coisa de certa
Alguma coisa certa em se fazer poesia
Era a rima, o gesto, a melodia

Sempre havia algo de sério
Algo tão próximo tão intimo, tão meu
Era a vida, o sonho, foi e se perdeu

Aquilo que era silêncio se tornava poesia
O cinza e seus tons, tudo florescia
Eram castelos de areia, que não se importavam
Com o vento, com as ondas, flutuavam

E veio o tempo em que tudo silencia
O beijo, a boca, a voz, eu... Esquecia
Que eram castelos de areia, que muito importavam
Mas veio o vento, as ondas, a vida e se apagaram

sábado, 20 de julho de 2013

Amantes

Amantes


Um grande amor é como um delírio, às vezes é preciso esquecer, pra quando menos se esperar, nos mínimos detalhes, que ele reapareça, reascenda, tome corpo, forma, gestos, sem por que, sem vê pra crê!

E é apenas pela maldade de estar ali, firme e forte... E cruel. É pra lembrar que estamos vivos e que temos um novo e velho motivo para sorrir e escrever, e chorar, e relembrar, e rever, velhos sentimentos no peito.

É como uma flor que caí, mas não murcha. É colhida com carinho e recato. É guardada no fundo, não num baú. No fundo do peito? No fundo de um livro, que conta histórias... Histórias que nunca se viu, distantes!

E o melhor, é uma poesia que não cabe na ponta do lápis, extrapola, tem que acontecer!
É um ato constante, um ato de querer. Desejo que não cessa a culpa... De viver!